IMPOSTO DE RENDA: Simplificado ou Completo?

Eu não deveria começar um artigo falando isso, mas preciso ser sincera com você.

EU ODEIO FAZER A DECLARAÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA com todas as minhas forças.

Foi por isso que eu chamei a Cintia Senna, educadora financeira e colaboradora do Me Poupe (que adora esses assuntos, pra minha sorte) pra fazer uma série de artigos sobre A FOME DO LEÃO, ou melhor, a declaração do Imposto de Renda.

Qual não foi a minha surpresa quando me peguei com vontade de me declarar ao leão! O que uma explicação didática não faz com o ser-humano, não é verdade…?

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EU, antes de ler este artigo
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EU, depois de ler este artigo e de banho tomado

 

 

 

 

 

 

 

 

Se você está chegando ao Me Poupe! agora, veja antes este artigo  super fácil de entender que explica o passo a passo pra quem está começando a declarar o próprio imposto de renda.

No texto abaixo feito pela Cintia você finalmente vai entender quando fazer a declaração simplificada e quando optar pela declaração completa. É mais fácil do que você imagina!

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Beijo, Nathalia Arcuri

Imposto de renda:
Simplificado ou completo?

Por Cintia Senna

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Eu escrevi alguns dias atrás sobre como fazer sua declaração de imposto de renda pela primeira vez e prometi que finalizaria o assunto em um próximo artigo. Promessa é dívida, aqui estou!

A intenção era fazer com que você se familiarizasse com o programa da Receita Federal, reunisse os documentos e só depois de tudo pronto e preenchido   partisse para a próxima etapa: escolher entre o modelo simplificado ou completo de declarção.
Mas afinal, você sabe o que é isso, e porque que existe?

Um pouco de história:

Antigamente, (mas não muito), quando a declaração ainda era em formato de papel (isso existia, pessoal) havia duas formas de você declarar sua renda para a Receita Federal. Uma versão simplificada e outra versão completa. O que determinava a escolha era se você tinha ou não despesas passíveis de redução da base do IR.

PRA FICAR MAIS FÁCIL

O que eu chamei de “passíveis de redução” são as despesas que podem diminuir o valor que você vai declarar como “receita/renda“. São essas despesas que  ajudam a diminuir o valor usado para calcular o imposto que você tem de obrigação por tudo que recebeu e ajudam a deixar a conta ficar mais a seu favor!
EXEMPLOS DE DESPESAS DEDUTÍVEIS
–  gastos com Educação (ensino infantil, fundamental, médio, técnico e superior, o que engloba graduação e pós-graduação  – limite de R$ 3.561,50)
– gastos com saúde (pagamentos à médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, fonoaudiólogos, hospitais, além de exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias –  sem limite)
– dependentes (aqueles que dependem financeiramente de você, conforme a lei – esposa, esposo, filhos, pais, etc –  limite de R$ 2.275,08)
– INSS de empregado doméstico (se tem funcionário nessa categoria e recolhe corretamente seu INSS – limite de R$ 1.182,20)
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IMPORTANTE! 
Quanto menor for a DIFERENÇA entre o que você recebeu (suas receitas) menos todas as despesas mencionadas acima, menores serão as chances de você pagar mais imposto e maiores serão as chances de você ser restituído pelo que pagou a mais de imposto.
 VOLTANDO DA HISTÓRIA..
 Passado esse período e com a tecnologia implantada, o sistema de escolha também mudou. Nas declarações eletrônicas (quem começou a preencher a declaração deve ter percebido) você tem que colocar todas as suas informações: GANHOS (receitas), GASTOS (despesas) E BENS (quitados ou alienados) e, ao seu final, escolher a forma que mais benefício lhe trará:
SIMPLIFICADA (no sistema estará como “por desconto simplificado”)
OU COMPLETA (no sistema está como “por deduções legais”). Não se preocupe. O próprio sistema fará um comparativo entre as duas formas de declaração pra você.
Para entender melhor a diferença entre um e outro veja o seguinte exemplo:

João teve uma renda anual de R$ 30.000,00 e pagou o valor de R$ 500,00 de imposto durante o ano (valores bem hipotéticos) e, portanto, tem que fazer a declaração. Como é solteiro, não tem gastos com faculdade, nem despesas médicas, ao terminar a declaração ele se depara com a seguinte informação:

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Na comparação do sistema, a opção pela declaração Simplificada levou a melhor. Mas como se chegou nesse cálculo?

É aí que vem o fator de dúvida da maioria das pessoas:

Na declaração simplificada é possível ter o benefício da redução do valor que será usado como base do cálculo de até 20%.

NO EXEMPLO DO JOÃO:

R$ 30.000,00 x 20%  = R$ 6.000 (desconto da base de cálculo)

R$ 30.000,00 – R$ 6.000,00 = R$ 24.000,00, ou seja, o cálculo do imposto é sobre esse valor e não mais sobre os R$ 30.000,00.

Se fosse o contrário, as despesas de João somassem mais que os R$ 6.000,00, por exemplo R$ 7.000,00, ele optaria pela deduções legais, que traria uma devolução integral do imposto pago no ano.

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Agora vamos para o outro lado da moeda:
JOÃO TERÁ QUE PAGAR IMPOSTO!
Ainda pensando no João, em que tipo de situação ele teria que pagar pagar imposto?
Um cidadão precisa pagar à Receita quando durante o ano, por algum motivo, ele pagou menos imposto do que deveria, segundo sua renda. Muitos desses casos são pessoas que tiveram renda como autônomas, ou sem vinculo empregatício, que equivocadamente deixam de recolher o imposto devido mês a mês.
  
Vamos supor o mesmo caso, João, que durante o ano recebeu o mesmo valor R$ 30.000,00, porém não pagou nenhum imposto sobre o capital recebido. (na outra hipótese ele havia pago R$500, lembra?)
 Captura de Tela 2016-03-16 às 11.44.04
Sem nenhuma despesa a considerar,  a recomendação é optar pelo desconto simplificado,  assim o João pagará menos.
 
Mais um exemplo:
João não recolheu imposto pelos ganhos obtidos ao longo do ano, mas em compensação teve gastos com despesas dedutíveis acima de R$6.000 (escola das crianças, médicos e afins). Vamos usar o mesmo exemplo de R$30.000 de renda e R$ 7.000,00 em despesas dedutíveis. Nesse caso o mais viável é utilizar a opção “Deduções Legais” conhecida também como “completa”.
Captura de Tela 2016-03-16 às 11.44.16

A orientação que deixo para você é preencher completamente sua declaração, com todas as suas transações e se atentar ao final, antes de enviar a declaração, qual a melhor opção para essa entrega.

Lembrando, o limite de dedução pelo simplificado é de 20% do valor recebido limitado até R$ 16.754,34. Assim, compare se seus gastos são maiores ou menores que esse desconto, e faça uma boa escolha.

Assim, quando terminar a declaração e antes de enviar para a Receita Federal, fique super atento a esse campo para deixar selecionado aquele que melhor te beneficia.

Você também pode precisar…

Como declarar seu primeiro imposto de renda
5 dicas pra garantir a aposentadoria sem o INSS

Cintia Senna 

10296804_998981366829131_3648729884191750672_n-2Especialista em Educação Financeira pela DSOP/Unis e Controladoria de Gestão pela FECAP.
Graduada em Ciências Contábeis pela USJT, formada em Coaching pela Anderson University/C4C, cursou Educação Executiva em Planejamento Financeiro Pessoal pelo Insper/IBCPF, e Formação em Educação Financeira pela DSOP.
É responsável pelo blog Viver Melhor com Educação Financeira,
Realiza palestras, treinamentos e atendimentos individuais, familiares e para pequenos e médios empreendedores, além de colaborar com o tema Educação Financeira em diversos meios de comunicação

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Nathalia Arcuri

Sou a Nathalia Arcuri, poupadora por opção, jornalista por profissão e especialista em finanças pessoais por vocação.

2 comentários em “IMPOSTO DE RENDA: Simplificado ou Completo?

  • 18 de março de 2016 a 7:16 pm
    Permalink

    Nathalia, os investimentos feitos nos títulos do governo devem constar em algum lugar da declaração?

    Responder
  • 29 de abril de 2016 a 8:36 pm
    Permalink

    Olá, Cintia.

    Tenho uma dúvida mais ou menos quanto a isto:
    > “Muitos desses casos são pessoas que tiveram renda como autônomas, ou sem vinculo empregatício, que equivocadamente deixam de recolher o imposto devido mês a mês.”

    Eu recolhia o carnê leão (todos meus rendimentos são do exterior), mas como acabaram acumulando VÁRIOS recebimentos em janeiro/2015 e como eu estava fazendo reforma em casa e com vários gastos inesperados surgindo, eu optei por deixar tudo para a declaração de ajuste anual.

    Enfim, a dúvida em si é se há incidência de multas ou outros possíveis problemas por essa prática. Todos os valores foram importados pelo programa do carnê leão, ou seja, discriminados mês a mês, então imagino que, se houver alguma multa, o próprio programa da DAA a aplique, mas alguns colegas meus levantaram essa dúvida esses dias.

    Porém, pelo meu cálculo manual do imposto devido gerado pelo programa, não houve muita nenhuma. Sendo assim, não seria talvez o caso de investir mensalmente o valor que seria pago no carnê leão e deixar para quitar tudo à vista no ano seguinte, em vez de pagar mensalmente para depois pegar a restituição (que não é corrigida)?

    Responder

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