Por que é tão caro ser endividado no Brasil?

Se você tem uma parcelinha no cartão de crédito não se engane: Você tem uma dívida (PRONTO, FALEI!)

É engraçado como algumas pessoas confundem endividamento com inadimplência.  Então, só pra te trazer pra terra::

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ME CHAMARAM?

 

Edividado: Sujeito que tem parcelas a pagar (do financiamento da casa, do carro, do cartão de crédito, do consignado, etc)

Inadimplente: Sujeito que está atrasado em uma ou em várias parcelas (da casa, do carro, do cartão, do consignado, etc)

Bom, agora que colocamos os pingos nos Is, o jeito é levantar a cabeça e enfrentar os fatos.

60 milhões de brasileiros estão INADIMPLENTES, ou seja, estão naquela condição que todos conhecem como Bola de neve!

(É muita gente. Meu queixo quase caiu)

Abre aspas para o cartão de crédito:

“Oi? Não pagou? Toma esses juros de 400% ao ano pra ficar esperto!”

Caramba, doeu até em mim!

nem doeu
Em mim também!

Pra você que está endividado, inadimplente ou está pensando em pagar o mínimo do cartão de crédito este mês ou fazer algum tipo de empréstimo, eu fiz uma entrevista com o Sergio Furio, espanhol espevitado que trabalhou como consultor em alguns dos maiores bancos do mundo, se apaixonou por uma brasileira e pelas dívidas do povo da amada.

Não, a moça não estava no vermelho, quem estava mal das pernas era (e ainda é) o país dela (nós). Quando o Sérgio tomou conhecimento de quanto nós brasileiros pagamos pra fazer uma dívida, ficou inconformado. Viu ali uma oportunidade de negócio e resolveu virar o jogo. Veio para o Brasil com a esposa e fundou uma empresa que oferece opções mais baratas de crédito, todas baseadas em usar bens como garantia.

Na entrevista o Sérgio me contou sobre a experiência dele e esclareceu de forma bastante clara como é ser endividado no Brasil (sim, um gringo dando aula de juros brasileiros. Tive que engolir essa!). Ele também deu algumas dicas pra quem está mergulhado em dívidas (mas que fique registrado: as dicas eu já sabia, perguntei só pra ser simpática com o gringo gente fina).

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Leia a entrevista e veja se você está entre os congelados na bola de neve que podem ser salvos por hábitos de consumo mais saudáveis ou pelo crédito mais barato.

Foto Sergio FurioEntrevista Sérgio Furio

CEO Bank Fácil

MP – Sérgio, você já trabalhou em algumas das capitais mais ricas do mundo e conheceu a fundo a questão do crédito e como ele está inserido na cultura de cada povo. Na sua opinião qual é a maior característica do brasileiro (consumidor) quando  assunto é crédito? Ele se preocupa com o preço que paga pra tomar dinheiro emprestado? Faz pesquisa? O que ele analisa antes de se decidir por um banco, financeira, cartão de crédito, etc? OU SIMPLESMENTE NÃO ANALISAMOS NADA?

SF: O brasileiro é um povo que cresceu com uma cultura de inflação e juros altos. Curiosamente isso gerou dois perfis de comportamento. De um lado, as pessoas que fogem do crédito pelo alto custo a que o sistema financeiro nos tem acostumado. Esse tipo de cliente simplesmente rejeita o pagamento de juros explícito e só aceita o chamado parcelado sem juros.  Apesar de esses produtos embutirem normalmente o custo implícito, esse perfil de cliente acha que o financiamento é de graça. De outro lado temos os clientes que não se importam com os juros e focam na parcela. Esse perfil olha se parcela cabe no bolso e toma a decisão levando apenas isso em conta.

MP – E a posição dos credores? Qual é a principal diferença entre as empresas que emprestam dinheiro aqui e as empresas que emprestam dinheiro lá fora, principalmente nos EUA?

SF – O mercado bancário brasileiro é extremamente concentrado. Nos EUA há milhares de instituições financeiras e isso faz com que elas concorram para emprestar e ter uma boa qualidade de serviço. Adicionalmente, o mercado norte-americano está muito mais focado em produtos de crédito com garantia pelo fato de eles serem mais eficientes para reduzir os juros para o consumidor e manter uma inadimplência baixa. Ao mesmo tempo, esses produtos são mais complexos para originar. Os credores em EUA criaram capacidades nas agências para originar crédito com garantia, treinando especialistas de crédito imobiliário e financiamento de veículos nas próprias agências. Aqui no Brasil, os credores focam muito mais em produtos sem garantia, com altos juros e mais simples de originar nas agências como cartões de crédito, empréstimo pessoal, consignado, etc.

MP – O que faz do Brasil um dos países mais caros pra financiar ou tomar empréstimo? Por que os nossos juros estão entre os mais caros do mundo?

SF – Temos a tendência de pensar que o motivo de ter juros altos para o consumidor é o fato que os juros da economia como um todo são altos. Isso de fato é uma pequena parte do problema. O consumidor paga cerca de 65% de juros ao ano no crédito livre sendo que a SELIC está no 14,25% (a.a.). Isso é um spread de 50%, algo inacreditável nos países desenvolvidos. O brasileiro não tem um problema de endividamento, ele tem um problema de custo elevado da dívida. Em termos de tamanho da dívida, cada brasileiro tem em média R$7.500 em créditos, comparado a uma média de R$160.000 da dívida per capita nos EUA. Os americanos têm 20 vezes mais dívida por pessoa que os brasileiros, só que pagam juros 10 vezes menores.

No nosso ponto de vista, o grande problema é que a participação do crédito com garantia no Brasil é muito pequena. As pessoas têm propriedades, mas deixam elas paradas sem usar esses bens como garantia para tomar um crédito mais barato. As instituições não criaram capacidades de originação eficiente de crédito com garantia e o consumidor desconhece que esse tipo de crédito permite regularizar a situação do orçamento familiar. Com isso, o dinheiro não retorna para a economia e o consumidor acaba pagando a conta.

MP – Na sua opinião, qual é o maior vilão na vida de quem faz uma dívida pra conquistar sonhos de consumo a prazo aqui no Brasil?

SF – Cada compra precisa ser analisada, avaliada se realmente pode ser realizada. Despesas de consumo que não rendem no longo prazo deveriam ser pagas à vista ou financiadas num prazo muito curto a exemplo de vestuário, restaurantes, etc. Já operações de investimento como a compra de um veículo, imóvel, estudos ou a criação de uma empresa, precisam de financiamento de longo prazo com os menores juros possíveis para permitir um bom retorno sobre o investimento. É nesse tipo de categoria que melhor se encaixa o crédito com garantia que nós facilitamos na Bankfacil. No meio ainda estão despesas de porte médio como, por exemplo, uma viagem. É importante que o consumidor faça a conta direito para analisar se um parcelamento dessa despesa cabe no orçamento familiar considerando a renda disponível e a avaliação do custo implícito comparado ao desconto do pagamento à vista.

MP – Existe solução pra quem está com uma dívida do tipo “bola de neve”?

SF – A bola de neve acontece porque o consumidor tem parcelas para pagar superiores à renda disponível. Com isso, precisa aumentar o endividamento para pagar a própria dívida. Há três formas para resolver esse problema: incrementar as receitas (trabalhar mais, se for possível, para incrementar a renda familiar), reduzir os custos (gastar menos dinheiro para conseguir repagar a dívida) ou reestruturar a dívida da família. Na BankFacil focamos nessa última solução. Reestruturamos o endividamento familiar usando ativos como garantia para reduzir as parcelas, alongar o prazo e reduzir os juros. Dessa forma o consumidor regulariza a situação e consegue repagar o crédito sem ter que incrementar o tamanho da dívida.

MP – Sabemos que o crédito é bem-vindo quando será capaz de impulsionar o crescimento pessoal ou de uma empresa. Ou seja: crédito é bom quando é pensado como investimento. Nesse caso, existem alternativas sustentáveis para o brasileiro ou ainda estamos longe de uma relação amigável entre crédito X consumidor?

SF – O crédito para investimento das empresas é caro no Brasil. Por esse motivo, cada vez mais os pequenos empresários ou profissionais autônomos estão tomando crédito na pessoa física para fazer investimentos. Esse tipo de crédito voltado para investimentos ainda é escasso no Brasil, mas se o investidor tiver propriedades para oferecer como garantia, ele passa a ter condições de acessar taxas muito competitivas e prazos mais longos.

MP – Deixe alguns alertas para os leitores do Me Poupe! Que cuidados devemos ter antes de entrar em um empréstimo ou financiamento?

SF – O crédito no Brasil é caro. Dedique tempo para pesquisar. Muitas vezes a melhor solução não é a que é oferecida pelo banco que você já tem relacionamento. Também é muito importante prestar atenção nas compras parceladas. O consumidor pode entrar em uma bola de neve provocada por parcelas inicialmente sem juros, mas que ficam insustentáveis quando são acumuladas a outros pagamentos.

MP  – Acrescente o que mais achar pertinente e que possa ajudar os leitores a buscarem alternativas mais baratas de crédito.

SF – Fale com a gente! Na BankFacil temos um time de 25 consultores que auxiliam aos consumidores de forma gratuita. O crédito é um motor de crescimento, é uma forma saudável de investir em nosso desenvolvimento se ele for feito da maneira adequada. Nós temos reestruturado dívidas de milhares de pessoas e financiado projetos pessoais e empresariais, mas é sempre importante que o consumidor avalie sua situação pessoal e profissional antes de tomar qualquer decisão.

Gostou da entrevista?

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Nathalia Arcuri

Sou a Nathalia Arcuri, poupadora por opção, jornalista por profissão e especialista em finanças pessoais por vocação.

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