Você é independente? Tem certeza?

07 de setembro | 2014

“Independência ou morte!”, gritou D. Pedro I às margens do rio Ipiranga há exatos 192 anos.  Nada mais enfático do que preferir a morte a ficar preso numa situação que vai de mal a pior. Parece com a sua situação financeira? Pois saiba que um grito de liberdade pode ser a solução para os seus problemas… PS: É domingo, então grite baixo pra não incomodar os vizinhos. Clica aí e vambora!

Tá bom, já ouvi!

Ei, se você parasse de trabalhar hoje por quanto tempo conseguiria manter o mesmo padrão de vida sem o seu salário?

a) Não sei
b) Vai te catar, quem consegue fazer isso?
c) Nunca pensei nisso

d) E agora?

Bom, se você escolheu as alternativas a, c ou d, fique tranquila…o que vem a seguir vai te ajudar a fazer uma reserva de dinheiro suficiente pra viver livre, leve e solta. Mas se a sua opção for a alternativa b, te proponho me xingar só depois que terminar de ler todo este post. Se achar que ele não valeu de nada, então cate-se você.  (Ai que TPM ardida!)

PLANEJANDO A INDEPENDÊNCIA FINANCEIRA
 
ETAPA NUMERO 1
O QUE É ISSO, MEU DEUS?
Antes de mais nada você precisa saber o que é independência financeira.
Ao contrário do que muita gente acredita, independência financeira não é ser dona do próprio nariz, bancar as próprias contas, comprar tudo o que quer sem depender de pai, marido ou herança (desculpe se você achava que era livre e agora vai descobrir que não é, juro que é para o seu bem).
Independência financeira é poder trabalhar apenas por prazer e não por necessidade. Ou seja: quando aquilo que você tem no banco, em aplicações, ações, fundos, recebimento de aluguel de imóveis, previdência etc é suficiente para garantir a sua qualidade de vida e segurança até o último dia da sua existência.
Quem têm isso hoje no país? Eu! hahaahhahahahah quem me dera! Mas estou trabalhando pra isso!
Infelizmente apenas 0,01% dos poupadores brasileiros estão podendo se dar a esse luxo. São 10.145 pessoas. Nosso país tem 200.000.000 (duzentos milhões) de habitantes e 112.000.000 (cento e doze milhões) de pessoas que aplicam na poupança. Já é um começo.
ETAPA NUMERO 2
 
QUANTO EU CUSTO?
Ótima pergunta! Comece fazendo um orçamento simples. Levantando quanto ganha e quanto gasta. Faça tópicos como:
  • Moradia –
  • Carro –
  • Academia –
  • Roupas –
  • Cabelo –
  • Unhas –
  • Alimentação –
  • Presentes –
  • Estacionamento –
  • Balada –
  • Farmácia

O ideal, claro, é que o produto final da conta (Salário – despesas) seja positivo.

Com este numero animador, ou não, em mente, vamos começar a planejar o seu futuro!

Ai como eu amo isso!

Existem duas fórmulas distintas para calcular o patrimônio necessário para viver de sombra e água fresca:
A primeira delas:  Total para independência = gasto anual / rentabilidade

Vamos ver o caso da Daniela, de 26 anos.

Ela tem gastos mensais de 2.200.
Gasto anual Daniela =  26.400

Agora vamos dividir pela rentabilidade em um investimento conservador ao longo de um ano, que descontada a inflação está em torno de 3% = 0,03

Total

(Tá preparada?)

= R$ 866.666,67

Sim, a matemática da vida é assustadora. Mas a notícia pode melhorar! 🙂

Este cálculo ai de cima é pra quem quer viver de renda, sem que o montante acumulado diminua com o passar dos anos. Desta maneira, depois que passar desta para melhor, seus herdeiros vão agradecer…

Mas, se você está mais preocupada em garantir apenas o seu futuro e a sua tranquilidade e deixar que cada filho cuide também do próprio futuro (afinal você os educou para isso) a conta é muito mais otimista e um pouco mais complicada, porque leva em consideração a expectativa de vida. Ou seja: Não viva mais do que o cálculo, ok?

Digamos que a Daniela esteja pensando em se aposentar aos 60 anos e que, baseada nas idades dos avós maternos (avô tem 97 e a avó 88) , calculou uma renda suficiente para chegar aos 95 anos. Estará gagá, mas sem dívidas. Neste caso Daniela precisará de R$637.000 aos sessenta anos.

E como ela pode fazer isso? Se programando para guardar R$600,00 todos os meses a partir de agora.

Clique aqui aqui e tenha uma idéia estimada de quanto custa a sua independência financeira. A tabela é bem prática e bacana.

Vai falar que é difícil?

ETAPA NUMERO 3

Eu sei que parece bem difícil criar o hábito da poupança, mas não é. Principalmente quando você resolve dar o tal berro da independência financeira. Pense como será deliciosa a sensação de poder fazer o que quiser, na hora em que quiser, sem dar satisfações a ninguém… E outra: Se você acha que o governo vai garantir a sua aposentadoria, sinto muito lhe informar, mas a previdência pública como nós a conhecemos hoje no país será uma instituição falida em algumas décadas. Pra você ter uma idéia: Em 2050 (eu terei 65 e estarei desfrutando linda da minha aposentadoria) o país terá mais idosos que crianças. Quem vai bancar a conta dos velhinhos? Vai mesmo brincar com a sorte?

Pra começar eu sugiro o seguinte: PAGUE A VOCÊ PRIMEIRO E APRENDA A VIVER COM O VALOR LÍQUIDO E COMECE HOJE! O tempo é implacável.

Voltando à Daniela: ela recebe R$3.200, mas decidiu que vai ser independente e solicitou no banco o desconto mensal de R$400,00 para aplicações diversificadas. Assim, ela começa a se acostumar a viver com um salário de R$2.800.

O primeiro passo para a independência financeira, por mais óbvio que possa parecer, é sair da inércia.

Faça alguma coisa por sí mesma e tente, pelo menos.
Hoje, por mais sacrificante que seja, você ainda pode optar pela Independência ou pela Morte financeira, mas o que será de você aos 70?

Pense a respeito e seja feliz!

Nathalia Arcuri – Me Poupe

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Sou a Nathalia Arcuri, poupadora por opção, jornalista por profissão e especialista em finanças pessoais por vocação.

Comentários

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Simone Lopez 09 de December | 2014

Olá Nathalia ! Descubri seu blog a poucos dias, pelo Dinheirama, estou adorando. Finanças pessoais é o meu assunto favorito. Agora já estou colocando em prática o que tenho aprendido. Obrigada por compartilhar seus conhecimentos.

Beijos! Sucesso!!!

Nathalia Arcuri 28 de September | 2014

Olá Carlos!
Em primeiro lugar, desculpe a demora. Semana cheia esta que passou...
Em segundo lugar: Fico feliz em saber que a sua filha está crescendo em um lar tão responsável e sendo preparada para a vida por pais amorosos, que pensam no futuro dela.
Sua dúvida cruel em relação aos próximos passos é mais do que normal, mas se você parar para analisar, já deu grandes passos. A casa e o terrenos na praia são a prova de que você é corajoso o suficiente para se arriscar. E está ai meu único temor em relação a essa sua história. Esses imóveis estão sendo custeados como? Me refiro aos impostos do terreno e do imóvel na praia. Mantê-los talvez não seja a melhor estratégia. Estou palpitando, mas sem saber se você tem alguma receita com eles, se a família utiliza este imóvel como lazer aos finais de semana, férias etc. Pense bem a respeito, ok?
Quanto a aumentar o padrão do apartamento onde você vive com a família, acho que este é o tipo de decisão que cabe ao casal. O imóvel é tão pequeno que se torna um fardo voltar pra casa? Vocês querem muito sair de lá? Se a resposta para essas duas perguntas for NÃO, então não se preocupe, fique onde está e acumule o quanto puder até sua filha precisar de mais espaço ou quem sabe tiver um irmãozinho. Aliás, o que você está fazendo é se preparar para todos os imprevistos previsíveis, tema do post de Hoje! Espero tê-lo ajudado e estou à disposição para o que precisar. Obrigada pela mensagem!

Carlos 24 de September | 2014

Olá, Nathalia!
Muito bacana seu blog. Descobri hoje através do Dinheirama e estou começando a ler os posts!
Comecei pelo Grito de Liberdade, no qual me encaixei muito bem.
Sempre fui de economizar, pesquisar e ter sempre a sensação de que sei muito pouco em relação a educação financeira e os diversos temas que ela aborda (tema parece sem fim).
Depois que li "'Pai rico Pai pobre" minha relação com o dinheiro se aprofundou ainda mais, se tornando quase uma obsessão no sentido de poupar com inteligência e buscar formas do meu dinheiro se valorizar. Não esqueço a frase do "pague-se antes e depois pague os outros" e faço isso até hoje, sem haver exceção!
Tenho 34 anos, casado, 1 filha pequena (1 ano) e ao longo desses mais de 15 anos de economia consegui formar um patrimônio bastante interessante para minha idade.
Ganho um belo salário, minha esposa também ganha bem e me ajuda na questão do consumo inteligente e consciente.
Conseguimos juntar algo próximo a R$ 1.000.000,00 em investimentos (Fundos de renda fixa 80% e o resto em ações).
Moramos num apartamento próprio, mas bem aquém de nossas possibilidades (acho tudo muito caro pra comprar apto novo e maior).
Temos um belo apto na praia, que foi comprado para investimento e ainda não conseguimos vender, um terreno em outra praia (a venda).
Comentou tudo isso pois, apesar de saber que temos condições de ter um padrão de vida muito melhor do que temos atualmente, não me sinto confortável para dar esse passo a frente.
Me preocupo muito com o futuro e isso as vezes me incomoda.
O que você faria na minha situação?
Continuaria priorizando economizar 50% ou mais de suas receitas, visando uma tranquilidade lááá na frente ou partiria para aumentar o padrão de vida imediatamente?
Tenho dúvidas em relação as receitas futuras continuarem a ser desse porte (ambos trabalhamos em empresas familiares).
Grato e parabéns pela iniciativa de ajudar os outros! Respeito muito isso!

Nathalia Arcuri 18 de September | 2014

Olá Malu!
Que bom poder ajudar! Sinta-se a vontade pra tirar dúvidas sempre que quiser. Espero que os posts aqui do blog continuem abrindo novos caminhos e encurtando todos aqueles que vão te levar ao seu sonho!
Roupas de banho separadas! Beijo!

Anônimo 17 de September | 2014

Muitíssimo obrigada, Nathalia, ajudou muito a pensar em outros caminhos. Agora tenho mais argumentos para convencer a "oposicao" rsrssrs

Nao é que nao queira alugar o apartamento na temporada (se comprasse um) só por causa dos incomodos posteriores (tenho arrepios só de pensar em estranhos andando e fucando no meu "mundinho" rsrsrs), mas também porque na temporada eu mesma iria para lá. A pequena cidade onde gostaria de morar é, fora da temporada (+- de abril a outubro), simplesmente inabitábel. Ventos fortíssimos, venta do norte para o sul e quando esse pára, venta do sul para o norte, às vezes inenterruptamente até 10 dias, 24 h por dia. Desagradável mesmo! Tenho um amigo lá, filho da terra, que diz ser seu sonho morar em outro lugar nesses meses. Se ele diz isso, que direi eu entao? rsrsrs
Mas no verao é um pequeno paraíso. Mas pode trazer 2 modelitos engana-mamae pois, em caso de necessidade, os meus nao lhe servirao, tenho uns quilinhos sobrando rsrsrs

Continuarei acompanhando seu blog assiduamente pois aqui a gente entende o que voce escreve. Muito sucesso. Beijos.

Malu

Nathalia Arcuri 16 de September | 2014

Olá Malu, tudo bem? Desculpe a demora em respondê-la. Pelo que vi na mensagem completa, sua situação é razoavelmente confortável, mas não o suficiente para não se preocupar com as contas consequentes da aquisição de um novo imóvel. Vou dar aqui alguns caminhos e sugiro que você se abasteça de mais informações para escolher qual deles tomar, ok?
Antes disso, só te peço mais uma reflexão a respeito do seu desejo: Não se esqueça que apesar de estar na casa da praia, as contas da casa "oficial" também vão continuar chegando... Este período terá que ser calculado na ponta do lápis para que surpresas não ocorram...

Minha primeira questão é em relação à compra do imóvel. O valor que você tem hoje não possibilita muitas mudanças no orçamento, já que está quase no limite do que se pode adquirir no litoral. Pesaria menos caso você optasse pelo aluguel em temporadas, o que você não quer fazer.

Apesar de ter a manutenção, impostos e os custos extras o valor investido poderia render frutos no futuro através do aluguel ou venda do imóvel, em caso de necessidade e dificilmente o imóvel vai desvalorizar.

Já no caso do aluguel que você citou, a grande vantagem é que não seria necessário um contrato extenso. É difícil conseguir um imóvel neste padrão e com estas condições... Por outro lado o valor que você vai pagar em seis aluguéis anuais (R$21.000) equivale a 8% do valor total que você tem para investir.. Isso sem contar os gastos extras com alimentação, transporte, etc... Hoje é praticamente impossível conseguir um rendimento real neste patamar. Descontada a inflação e possíveis impostos o rendimento esperado seria algo em torno de 2% a 3% ao ano em uma aplicação conservadora ou com de pouco risco, como um fundo de investimento, ou seja: teoricamente (por que não sabemos os próximos rumos da economia) para que seu dinheiro permanecesse intacto na aplicação e pagando o valor do aluguel da casa na praia seria necessário um resgate anual de R$12.500,00 (2%).... Logo, o valor máximo de aluguel que você poderia suportar sem dilapidar o patrimônio seria de R$1.041,00.

Respondendo a sua pergunta: sim... pensando no longo prazo, a casa está cara. Mas é você quem vai decidir se quer aproveitá-la até o dinheiro acabar (algo em torno de 12 ou 13 anos) ou se vai esperar outra oportunidade que lhe proporcione vai tempo com os pés na areia e a cabeça tranquila! Quanto menos você pagar neste aluguel, mais vai poder aproveitar.


Hoje você tem 60 anos e segundo os novos cálculos de expectativa de vida, terá um longo tempo para usufruir e curtir a vida adoidado até os 90 pelo menos...
Não caia no conto de que só porque já passou dos cinquenta não é possível planejar. Você está pensando em qualidade de vida e investir tempo no planejamento dos nossos sonhos nunca será em vão.
Espero tê-la ajudado...
Um beijo e a gente se vê na praia, hein! Já até separei meu modelito engana-mamãe!

Nathalia Arcuri 14 de September | 2014

Olá Malu! Que ótima a sua pergunta. Mas preciso de alguns outros dados, que não vou publicar ok? Só para que eu saiba te orientar da melhor maneira.

1- você já está aposentada?
2 - qual é a renda média mensal?
3 - custo da moradia atual mensal(condomínio, água, luz, IPTU, etc)
4 - custo de vida no bairro onde mora
5 - valor do imóvel atual.

PS: É um prazer ajudá-la!

Anônimo 14 de September | 2014

Oi Nathalia, sou a Malu (anonimo) e também fiquei sabendo de vc pelo newsletter do Dinheirama que já acompanho há anos.
Sei que bons conselhos teriam que ser pagos. Mas como suas dicas sao de graca - por favor, nao mude isso! - e vc escreve de coracao aberto, vou pedir uma sugestao. O único sonho de consumo que tenho é morar na praia. Nao há viagem pra Paris ou New York, nem carros, nem jóias, nem roupas, nem sapatos - ah, as bolsas, tenho um tique por bolsas, nao resisto rsrsrs - que me facam meter a mao nas minhas bolsas e me endividar. Mas um apartamento pertinho da praia, para morar só 6 meses por ano, ah isso me balanca. Agora surgiu a opotunidade de comprar um, mas as dúvidas surgiram também. O capital que tenho para empatar em um pequeno ape (250.000,00), com todos os extras: IPTU, condomínio, luz, gás,etc nao deixa sobrar nada para meus gastos do dia-a-dia. Isso sem contar que precisaria gastar com móveis e todo o resto que um apartamento pede. E tudo isso para passar só 6 meses por ano. Nao, alugar os outros 6 meses nao quero, nao quero pessoas estranhas andando no "meu pedaco". Segundo experiencias de conhecidos, alugar para amigos e família é ruim, só deixam coisas pra gente limpar. Ai, nem pensar! Mas entao surgiu a oportunidade de alugar uma casa grande, super, super chic, com tudo dentro, até roupa de cama, luz e gás incluídos, a 20 m do mar (os donos passam uma parte do ano fora) por R$ 3.500,00 mensais. Amigos e conhecidos dizem que está cara demais e estao tentando me tirar de cabeca. Qual a sua opiniao, baseada nos dados anteriores que lhe passei, comprar um ape e ficar sem dinheiro pras despesas ou alugar a casa por 6 meses usando os juros do capital que tenho? Para ajudá-la na resposta, já passei dos 60 e nao tenho filhos.
Obrigada, um beijo e muito sucesso.

Nathalia Arcuri 12 de September | 2014

Olá Regina, seja muito bem-vinda! Ainda não escrevi nada específico sobre estes imprevistos (que na verdade podem ser previsíveis). É uma ótima idéia, aliás! Enquanto o seu "personal post" não fica pronto, lhe recomendo que passeie pelo blog e investigue os temas que mais julgar interessantes! Desfrute! Beijo!

Anônimo 12 de September | 2014

adorei seu blog. parabens.
Que post seu devo ler sobre imprevistos que aparecem do nada, computador que para, carro no prego, troca do óculos que venceu....um abraço.Regina

Nathalia Arcuri 11 de September | 2014

Obrigada Hamilton! Pessoas de bom gosto como você são sempre bem-vindas! rs

Nathalia Arcuri 11 de September | 2014

Obrigada, Ana! Tomara que o Me Poupe! possa contribuir para a sua tranquilidade! Seja bem-vinda!

Hamilton Romualdo 11 de September | 2014

Boa tarde Nathalia, lindo nome assim como o da minha filha. descobri seu blog hj atraves do boletim do dinheirama, achei divertido, simples de fácil compreensão, desejo muito sucesso e vida longa ao seu blog e a voce. Abraços

Ana E 11 de September | 2014

Ei, Nathalia! Achei seu blog através do Dinheirama que recebo todos os dias no meu e-mail. Muito legal! Adoro ler sobre dindim e tudo mais relacionado a finanças. Seu blog é divertido demais. Aos poucos vou lendo todos os posts anteriores. Abraço.